T4L por Diálise de Equilíbrio X T4L por Quimiluminescência: Como escolher?

Para finalizar o nosso mês dedicado a TIREOIDE, hoje vamos abordar algumas das diferenças, vantagens e desvantagens da mensuração do T4 Livre por quimiluminescência (CLIA) e do T4 livre por diálise de equilíbrio (T4L DE) por radioimunoensaio (RIE).
Historicamente, o método mais utilizado para medir T4L em cães é o da diálise de equilíbrio. Posteriormente, um segundo ensaio que também usava a metodologia do RIE foi validado, este ensaio usava uma outra técnica de separação, conhecido como “Two Step” (2 etapas) e ficou conhecido no mercado brasileiro como T4Livre Bifásico, quem lembra dele? Era uma excelente alternativa tanto pela qualidade dos resultados, quanto pelo custo. No entanto, o fabricante descontinuou esse produto do seu portfólio.
Felizmente, nos últimos anos a empresa Siemens disponibilizou no mercado novas alternativas para a dosagem do T4Livre canino e o T4 L humano, ambos imunoensaios por quimioluminescencia (CLIA).
Mas quais são as principais diferenças e aplicações dos dois testes atualmente disponíveis no mercado? Nós explicamos!
O T4 Livre por diálise de equilíbrio é restrito a metodologia de RIE, pelo menos até a presente data, e continua sendo considerado o “padrão ouro” para a determinação de T4L em cães. E por quê?
Vamos entender um pouco mais: A principal característica desta técnica é uma etapa de diálise que filtra primeiro os grandes anticorpos e proteínas de ligação de hormônio fornecendo assim uma medição de T4 que não é afetada por anticorpos (como o TgAA) ou por alterações na ligação da proteína T4.
Assim, apesar de ser considerada uma técnica mais elaborada, demorada e custosa o T4 Livre por diálise de equilíbrio permite uma medição mais específica de do T4L, que além de não sofrer interferência de anticorpos também é menos afetada por certos medicamentos ou doenças não tireoidianas do que T4 total ou medidas padrão de T4 livre por outras metodologias, como o CLIA.
A escolha deste teste é recomendada se: 1) T4AA foi documentado, 2) doença não tireoidiana está presente ou 3) o cão recebeu substâncias interferentes, como esteróides ou fenobarbital.
O T4L (DE) também é útil nos casos em que o T4 total ou padrão é limítrofe baixo e o TSH é normal para auxiliar na diferenciação de cães eutireoidianos, mas doentes, daqueles 20-25% dos cães hipotireoidianos que poderiam ter um resultado de TSH normal.
Em contrapartida, a dosagem de T4L por CLIA não requer segregação da fração livre de T4 e, portanto, é considerada uma técnica mais prática, rápida e barata. Este método foi validado com boa sensibilidade para a dosagem de T4 não apenas em cães, mas em outras espécies domésticas como gatos e equinos.
Assim, o seu uso do T4L por CLIA na avaliação de rotina da função tireoideana, vai de acordo com a análise clínica e percepção do emprego pelo seu solicitante. Contudo vale lembrar que esta técnica pode sofrer interferência de anticorpos e proteínas.
Você encontra na tabela abaixo, os valores de referência adotados tanto para T4L DE quanto T4L CLIA, bem como para as demais frações tireoidianas. Vale a pena conferir!
Valores de Referência para os Hormônios Tireoideanos
Hormônio:
Canino
Felino
T3 total (T3T) (ng/mL)
0,53 a 1,40
0,30 a 1,50
T3 livre (T3L) (ng/dL)
0,29 a 0,78
1,10 a 3,90
0,10 a 0,39
T4 total (T4T) (ng/dL)
1,25 a 4,00
T4 livre (T4L DE), diálise de equilíbrio (ng/dL)
0,82 a 3,65
0,76 a 3,94
T4 livre (T4L), CLIA (ng/dL)
0,60 a 2,00
1,00 a 3,00
Hormônio tireoestimulante (ng/mL)
0,10 a 0,60
0,05 a 0,50
Autoanticorpo anti-T3 (T3AA) (%)
0 a 10
– –
Autoanticorpo anti-T4 (T4AA) (%)
0 a 20
– –
Autoanticorpo antitireoglobulina (TgAA) (%)
0 a 35
– –
Esperamos que tenham curtido as postagens deste mês tanto quanto nós!
Texto elaborado por:

Dra. Gabriela Siqueira Martins
Veterinária, Corpo Editorial e Gestão de Projetos da empresa Pesquisas Hormonais e do Movimento Hormone Lovers

Dra. Priscila Viau Furtado
Veterinária, CEO fundadora da empresa Pesquisas Hormonais e do Movimento Hormone Lovers
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