Gelo seco ou gelo reciclável? Estabilidade do ACTH endógeno durante o transporte

A dosagem do ACTH endógeno (ACTHe) em amostras de plasma é uma das principais ferramentas para o diagnóstico de diferenciação de doenças endócrinas como o hiperadrenocortisolismo e o hipoadrenocorticismo. Porém, existe uma restrição para o seu doseamento relacionado principalmente a fase PRÉ ANALÍTICA, pois o ACTHe é considerado instável e é degradado rapidamente pelas proteases sanguíneas, de modo que o envio destas amostras para laboratórios de referência pode se tornar uma etapa pré-analítica perigosa se o material não for enviado corretamente.
✅ Em geral recomenda-se que as amostras sejam enviadas congeladas e acondicionados no isopor em gelo seco. ⠀
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Mas…O que fazer quando gelo seco não é uma opção? Amostras acondicionadas em gelo reciclável mantém a estabilidade? 🤔⠀
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📑 Foi exatamente isso que o nosso colega e amigo Prof. Dr. Alan Pöppl e a Dra. Priscila Viau procuraram testar no artigo “Canine endogenous adrenocorticotrophic hormone preanalytical stability after sample shipping in dry ice or recyclable ice bars”.
Artigo
📊O objetivo deste trabalho foi comparar a estabilidade pré-analítica do ACTHe depois de longo período de transporte (da tarde do dia anterior até a manhã do dia seguinte) em amostras pareadas congeladas acondicionadas em gelo seco, ou com barras de gelo reciclável. ⠀
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🧪 E olha que interessante: Apesar dos resultados entre os diferentes grupos de amostras estarem altamente correlacionados, a análise estatística comprovou que o método de acondicionamento para envio tem influência sim sobre os resultados das dosagem do ACTHe. No entanto, a diferença encontrada não afetou a interpretação de cada exame!!
Isso não quer dizer que o risco à estabilidade pré-analítica do ACTHe em amostras transportadas com gelo reciclável deva ser completamente ignorado. Pelo contrário! Esta diferença pode significar um erro diagnóstico principalmente quando estamos falando de animais com padrões hormonais muito próximos aos valores de referência para diagnóstico da doença. ⠀
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Conclusão: Que tal deixar o transporte em gelo reciclável como último caso? ⠀
Este trabalho foi realizado em parceria com o @provetdiag e o link para o artigo completo está na imagem acima.
Texto elaborado por:

Dra. Gabriela Siqueira Martins
Veterinária, Corpo Editorial e Gestão de Projetos da empresa Pesquisas Hormonais e do Movimento Hormone Lovers
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